AE BRASIL: Após denúncia, STJD pede esclarecimentos sobre o caso Victor Ramos

Após denúncia, STJD pede esclarecimentos sobre o caso Victor Ramos


Em sua terceira passagem pelo clube, Victor está no Vitória desde fevereiro de 2016. | Foto: Francisco Galvão/EC Vitória 

Por Lilian Moraes

A polêmica envolvendo Victor Ramos, Vitória e Inter está longe de ter fim. Nesta segunda-feira, o Superior Tribunal de Justiça Desportivo (STJD) entrou em contato com a CBF e com o Vitória através de um oficio, pedindo esclarecimentos sobre a suposta inscrição irregular do jogador. Após os pronunciamentos, a entidade irá decidir se vai ou não arquivar o caso.

Agora, cabe ao Departamento de Registros da CBF e ao Leão explicar a situação do atleta no prazo máximo de dois dias. O clube gaúcho alega que o Vitória utilizou o jogador de forma irregular em 26 partidas do Campeonato Brasileiro e solicita que a suposta infração seja enquadrada no artigo 214 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva.

O que exatamente o Inter denuncia?

Em sua queixa o Colorado diz ter provas que existem irregularidades na transferência de Ramos após o término de seu empréstimo para o Palmeiras – clube que atuou em 2015. O atleta tem seus direitos ligados ao Monterrey, do México e na ocasião estava registrado no TMS (Transfer Matching System) da FIFA como jogador do time paulista, ou seja, a transferência para o Vitória teria sido realizada sem seguir as ordens recomendadas para uma transação internacional.

Dentro das leis, o vínculo de Victor com o Palmeiras terminou em 31 de dezembro de 2015 e já em 1º de fevereiro de 2016 teve contrato assinado com o Vitória. Em janeiro deste ano, Ramos não foi registrado novamente no México, o que caracteriza uma transferência legal, porém, como o contrato com o Palmeiras já havia se encerrado, dentro das recomendações do sistema TMS, o procedimento de transição do jogador para o time baiano deveria ter sido feito pelos mexicanos.

Um dos argumentos do clube gaúcho é a carta da FIFA de 24 de maio deste ano enviada ao diretor de registros da CBF, onde consta que o uso do TMS (sistema de transferências da FIFA) é indispensável e transações internacionais.

Em contrapartida, A CBF reforça que não existe irregularidade na inscrição de Victor Ramos, no entanto, Reinaldo Buzzoni, afirma que o procedimento não foi o correto, mas diz que se existe algum erro é pela falta do ITC (certificado internacional de transferência), o que não é o caso.

- Não tem nada irregular. Se existe irregularidade na transferência internacional quem tem que julgar é a Fifa. No Brasil não tem nada errado. O Vitória não fez nada errado – relata Buzzoni.


No primeiro parágrafo em destaque, o trecho do documento da FIFA confirma a importância do uso do TMS. | Foto: Reprodução

O caso não é novidade para o judiciário desportivo, a primeira divergência sobre o assunto aconteceu durante a disputa do Campeonato Baiano deste ano, na época, o Flamengo de Guanambi entrou com uma ação onde pedia a exclusão do Leão do estadual por que em caso de transferência internacional, os atletas devem ter o nome publicado no Boletim Informativo Diário (BID) da Confederação Brasileira de Futebol até 16 de março, Victor apareceu com o nome publicado só dois dias depois.

Caso seja punido, o time baiano perderia 72 pontos (3 por jogo) referentes as 24 partidas em que o defensor foi escalado durante o campeonato nacional.