AE BRASIL: INTER X CRUZEIRO: DE DRONE NO CÉU À SOLIDARIEDADE COM VÍTIMAS DE VIOLÊNCIA

INTER X CRUZEIRO: DE DRONE NO CÉU À SOLIDARIEDADE COM VÍTIMAS DE VIOLÊNCIA

Drone apareceu no Beira-Rio fantasma do rebaixamento (Foto: Reprodução)

Por Lilian Moraes

Na tarde de ontem, no Beira-Rio, um fato inusitado aconteceu durante o jogo entre Inter e Cruzeiro em partida válida pela 37ª rodada do Brasileirão. Por volta dos 15 minutos do segundo tempo, um drone apareceu no céu carregando um pano branco que continha uma letra “B” desenhada em vermelho, fazendo referência ao possível rebaixamento do time colorado para a segunda divisão do campeonato em 2017.


No entanto, o que era para ser apenas uma corneta saudável por parte de gremistas, acabou virando caso de polícia. Logo depois de acabar o jogo, aproximadamente quinze torcedores identificados com vestimentas coloradas, imaginaram ter descoberto a casa do responsável por conduzir a aeronave e invadiram de forma equivocada a residência de Cássio Stein Moura, que assistia ao jogo junto com sua mulher a filha do casal de dez meses. Os torcedores quebraram o portão da casa e destruíram parcialmente o carro da família que estava estacionado no pátio e ainda arremessaram pedras em direção das vítimas. 

Carro da família danificado após o ataque. | Foto: Divulgação/Arquivo Pessoal 
20ª DP no caso

Depois do transtorno, Cássio registrou um boletim de ocorrência do acontecimento. Sob investigação do 20º Departamento de Polícia de Porto Alegre, o ocorrido, agora, toma outras proporções. Tiago Baldin, titular do DP, afirmou já ter dois suspeitos envolvidos no caso e que trabalha para encontrar provas que possam dar continuidade as investigações.
Ao ser questionado sobre sua opinião sobre o lançamento do drone, Baldin foi claro.

Eles fizeram uma brincadeira de mau gosto, mas não incitaram à violência. Isso não é crime. Os atos decorrentes disso, sim. Estou analisando a questão criminal, a invasão, a depredação...Esses torcedores não tiveram uma reação exagerada, tiveram uma reação criminosa. Reação exagerada é dar um tapa, um soco, uma cuspida. O que eles fizerem foi outra coisa – relatou o delegado.

Disposto a ajudar a polícia no caso, o Internacional disponibilizou os registros de cadastros dos seus torcedores/organizadas, bem como a identificação biométrica dos mesmos e imagens do sistema interno de vigilância do estádio.
Caso sejam identificados, os responsáveis pelo ato não devem ser presos, pois o crime é considerado de “menor potencial”, contudo, poderão responder por invasão de domicilio, dano patrimonial, tentativa de lesão corporal e formação de quadrilha.

Solidariedade colorada presente

Ao perceber a dimensão do que aconteceu, um torcedor colorado resolveu mobilizar uma vaquinha pela internet para ajudar as vítimas da depredação. Filipe Gonçalves, conselheiro do time, ficou sensibilizado com o acontecimento e tomou a iniciativa que busca arrecadar R$ 5 mil. A ação que vai até dia 10 de dezembro já conta com mais de R$ 1 mil arrecadados e mais R$ 2,2 mil em boletos.

O time se pronunciou sobre o caso através do vice presidente do jurídico do Inter, Geovane Gazen. O funcionário do clube declarou que a instituição não é responsável por nada que ocorra fora do complexo Beira Rio.
— O Inter não tem qualquer ingerência sobre isso. Lamentamos muito o ocorrido, estamos realmente chateados, ainda mais por ter sido um colorado, mas o clube não tem responsabilidade direta nem indireta sobre este evento –declarou Gazen. — Isso é caso de polícia – completou.